sábado, 30 de julho de 2016

OS PEQUENOS POEMAS DO PÁSSARO

Faz tempo que nada escrevo neste espaço de meu blog. Não tenho a disciplina necessária. Tinha quando o blog fazia parte do portal da Rádio Jovem Pan, de onde me afastei. Não dá para trabalhar com alguns que estão lá e com alguns carreiristas coadjuvantes, gente sem caráter. Não são jornalistas de verdade. Tive de me afastar porque meu perfil não cabe mesmo na nova programação. Mas o que machuca, e machuca mesmo, é a decepção com algumas pessoas. O que essa gente é capaz de fazer para se garantir chega a ser inacreditável. Gente sem escrúpulo. Fiquei na JP 40 anos. Mas voltando ao que interessa: Quando meu blog estava no portal da JP eu tinha alguma disciplina, o que acontecia, também, com os vídeos que eu gravava e com a história em quadrinhos do Pintim. Tentei este blog independente, mas é difícil. Tive alguns convites para levar o blog, mas não aceitei. De forma que escrevo aqui de vez em quando. Vou tentar ser mais assíduo. Quando minha filha montou este blog para mim, o Blog do Poeta, o mesmo nome que tinha na JP, eu lhe perguntei como poderia tornar o novo blog conhecido como era na rádio. Ela então abriu para mim uma conta no Twitter, explicando que eu poderia utilizar o Twitter com esse objetivo. Bastava colocar o assunto e escrever: "Ler no Blog do Poeta". Nunca tinha experimentado do Twitter. Mas comecei. Tudo tem de ser escrito em até 140 toques. E assim fui seguindo. Acabei gostando porque posso comentar vários assuntos como jornalista profissional que ainda sou, ao contrário de alguns idiotas que têm esse título mas nem sabem ao certo como é e o que é a profissão, além das grandes dificuldades que têm para escrever o Português correto. Acabei gostando e fui conquistando os chamados seguidores. Mas numa noite ocorreu algo inesperado. Escrevi um pequeno poema com até 140 toques e publiquei no Twitter. Muita gente curtiu. E comecei a fazer isso todos os dias. Agora se transformou numa experiência que vai virar livro que já tem título: "Pequenos poemas do pássaro", São poemas profundamente intimistas, de mim para mim, de mim comigo mesmo, eu diante de mim, minhas contradições e situações paradoxais. Tudo em até 140 toques, com a exigência da rima. Todos os dias, menos sábado, coloco um poema perto das 19,30 hs. E estou gostando dessa experiência. Tornou-se uma coisa nova na minha poesia. Deixo para os meus 19 leitores alguns exemplos desses pequenos poemas que publico todos os dias no Twitter, assinado "Poeta Álvaro Faria". Estou gostando. Só preciso me disciplinar em relação ao meu blog. Vou tentar mais uma vez.

*****
Quero viver
minha liberdade
sem nada por perto
sem começo
nem fim

quero me ver livre
de tudo
mas não me livro
de mim.

*****    

Escrever poesia
é abrir a ferida
não mais me engano

partir para o nada
se perder de vez
no próprio dano

é cavar a vida
em ato insano.

*****

A poesia
me enlouqueceu
aos poucos
sem que
que percebesse

não me vi
nunca mais
e hoje vivo
como senão vivesse.

*****

Estou comigo sozinho
como se não me fosse

desfeito em mim
aquele que não existe

sou eu em mim mesmo
o que de mim se desiste

*****

O poema
diz respeito
a mim
somente

o poema
que diz respeito
a mim
só mente.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A MOÇA DE VESTIDO AZUL

Estou ficando cada vez mais nostálgico. Tanto que, neste final de semana, resolvi ir a uma quermesse da igreja do meu bairro. Fui sentir de novo aquilo que sentia há tantos anos que passaram por tantos caminhos. Revi muitos amigos que não via há muito tempo. Bebi vinho quente, comi pipoca, fiz todas aquelas coisas de um tempo que está quase apagado na memória. E vi lá aquele mesmo chamado "correio elegante", quando a gente, ainda jovem, queria conversar com uma moça e o recado era passado pelo "correio elegante", por alto-falante: "Rapaz de camisa vermelha quer conversar com uma moça de vestido azul". Algum tempo depois, a moça de vestido azul respondia: "Moça de vestido azul aceita conversar com rapaz de camisa vermelha". Quanto tempo! Mas está tudo guardado dentro de mim. Acho que esse é o meu problema, guardo tudo dentro de mim. Nostálgico, procurei o correio elegante e pedi para anunciar: "Um homem com cara de poeta do século 18 deseja conversar com uma moça que está usando um vestido azul". Esperei a resposta que não veio. Senti, então, que a moça de vestido azul não existe mais. A moça de vestido azul está guardada dentro de mim, em algum lugar que não sei. Mas devia estar lá na quermesse. Esperei muito tempo a resposta da moça de vestido azul. Depois fui embora meio triste. Não existem mais moças de vestido azul. Existe somente uma grande saudade de tudo que desapareceu para sempre.

sábado, 18 de junho de 2016

O REI ARROGANTE DE SÃO PAULO

Poucas vezes vi em minha vida de cidadão e de jornalista um tratamento tão perverso como esse que o senhor prefeito Fernando Haddad, do PT, dá aos moradores de rua de São Paulo. Cinco já morreram de frio, completamente abandonados pela Prefeitura. Um homem covarde, distante de tudo, que vê o morador de rua como um lixo, um estorvo para a cidade que ela trata somente com lantejoulas. Chegou-se ao ponto em que a Guarda Municipal do prefeito Fernando Haddad, durante as madrugadas, promovem o que se chama de "rapa". Saem pelas ruas da cidade tirando os cobertores e o papelão onde dormem os moradores de rua, gente que não tem nada, homens derrotados, mulheres, crianças, animais. São canalhas, desprovidos de qualquer sentimento. O padre Júlio Lancelotti sugeriu que se construíssem tendas para atender essas pessoas infelizes. Diante da pressão, o rei arrogante de São Paulo cedeu, e vai construir na semana que vem tendas em vários pontos da capital. Ajudará um pouco, mas não resolverá o problema, porque continuará faltando lugar. A cidade abandonada não tem planejamento. Falando sobre a implantação das tendas, o rei arrogante chamou os jornalistas de hipócritas. E eu digo daqui do meu canto, que hipócrita e desumano é ele. Que vá viver em Paris. O que se vê é uma vergonha. E esse drama dos moradores de rua de São Paulo já virou notícia internacional. O jornal "El País", de Madri, fez uma longa reportagem sobre o assunto, e destacou o que disse um morador de rua ao jornalista espanhol: "Eles levaram meu cobertor e queriam levar também o meu casaco". O prefeito rei arrogante diz que quer evitar a "favelização" da cidade. Dizer o que? Gente sem alma. Gente circunstancial.

sábado, 28 de maio de 2016

A MOÇA E AS FERAS HUMANAS

Não bastasse esse estado de caos que cerca o país, as pessoas de bem terão ainda de conviver com atos que não pertencem à civilização. Assustei-me com algumas reações em relação à barbárie do estupro da moça no Rio de Janeiro. Assustei-me e não compreendo. Li muita coisa colocando a culpa na moça que foi barbarizada por 30 delinquentes. Adjetivaram a moça de várias maneiras, como se isso justificasse essa violência comentada em todo mundo. Não dá mesmo para entender. Quer dizer que uma mulher não pode mais andar com  roupa curta, com decote? Não pode mais? Quer dizer que andando assim a mulher tem de ser estuprada, está pedindo para ser estuprada? Como entender um raciocínio desse. Essa brutalidade não pode ser aceita por ninguém. Essas reações culpando a moça, na verdade, mostra bem a cara do país em que vivemos. Mostra bem a que este país foi levado. Não existe solidariedade, consideração, generosidade. Não existe nada. Um país que foi destruído em todos seus valores por uma gente que tem de desaparecer de vez deste cenário melancólico. Chegamos a este ponto: a juíza que conversou com a moça violentada, teve a coragem de lhe perguntar: "Você tentou fechar as pernas?". Não, não, não! Não dá para compreender. A sombra do machismo sempre existiu e continua a existir no Brasil, uma gente desclassificada que faz e desfaz sem que nada lhes aconteça. É de assustar e desanimar ainda mais. Uma moça é barbarizada por 30 feras humanas e ainda é acusada por alguns, como se ela, a moça, fosse a fera e não a vítima. Este país perdeu mesmo sua justiça, perdeu o senso dos valores que regem a civilização. Pelo que li, só posso concluir que logo logo, nos crimes de pedofilia, a culpa será da criança.     

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Á FLOR DA PELE

Está saindo um novo livro meu em Portugal, publicado pela Editora Temas Originais, de Coimbra. Normalmente meus livros são publicados em Portugal pela Editora Palimage. Mas fui convidado pelo poeta Xavier Zarco, dono da Temas Originais, para participar da coleção "Mínima", de sua editora. São pequenos livros, 9x13, que estão a merecer  atenção dos leitores, especialmente na Universidade de Coimbra. Uma bela ideia. Remeti à editora os poemas necessários, todos de livros inéditos que tenho guardado, esperando publicação. São Muitos. "À Flor da Pele" contém poemas de cinco anos para cá. Mais uma publicação que me deixa feliz. O próximo, em Portugal, será lançado em outubro, pela editora Palimage. Chama-se "19 elegias noturnas", livro que escrevi em Coimbra, em setembro/outubro de 2014 e 2015. A seguir, irei para a Espanha, para lançamento de dois livros: a novela "Cartas de Abril para Júlia" (que já teve uma edição lá) e "Desvivir". Os dois traduzidos pela poeta espanhola Montserrar Villar Gonzalez que, aliás, fará uma palestra sobre minha poesia no dia 6, na Universidade de Aveiro, em Portugal, dentro da programação do Terceiro Congresso Internacional pelos Mares da Língua Portuguesa. O título da palestra de Montserrat é "Álvaro Alves de Faria. Um Poeta nas duas Margens. Poeta brasileiro e poeta português". Os meus 19 leitores me desculpem fazer discurso em causa própria. Mas é preciso informar coisas assim. Deixo um pequeno poema de "À Flor da Pele".

DESCAMINHOS

Mariana me disse numa tarde
de telhados molhados
que eu devia parar
de me alimentar com tanto açúcar
nos momentos desesperados.

Como um anjo do século 18,
aconselhou-me a caminhar,
o que tornaria a vida melhor.

Concordei - eu concordo com tudo,
mas confessei a ele meu destino
de não poder caminhar
porque não tenho mais caminhos.

Só becos sem saída.

Mariana me abandonou
no dia seguinte
e foi para a Índia
onde hoje é sacerdotisa,
mas não sei do quê.  

terça-feira, 26 de abril de 2016

O MINISTRO E A BELA MULHER DO MINISTRO

Eu pergunto aos meus 19 leitores: dá para levar este país a sério? Não dá. As coisas que acontecem por aqui chegam a ser inacreditáveis. O país está mergulhado numa crise nunca vista em sua história. "Nunca na história deste país...". A presidente Dilma resolveu de repente que iria para Nova York, viagem que antecipara que não faria mais. Mas viu na viagem uma maneira de denunciar o que ela julga ser um "golpe" o pedido de impeachment contra ela e seu seu governo. Avisada a tempo, mudou de ideia e se ateve ao tema da reunião na ONU. Mas na entrevista coletiva falou no tal "golpe", como se o mundo fosse feito de gente idiota. No Brasil essa história também não colou. Por que ela não falou em quase 12 milhões de desempregados, de inflação, do país mergulhado no caos? Ela e seu partido e o seu chefe levaram o Brasil a este estado lastimável. Mas eu quero dizer outra coisa. O país está caindo aos pedaços, a presidente poderá perder seu mandato, as pessoas estão aflitas e eis que, diante desse cenário melancólico, o senhor ministro do Turismo decidiu fazer um ensaio fotográfico com sua bela mulher Milena Santos - ex-miss bumbum - no seu gabinete. Na verdade, um mulherzão, com formas de causar inveja, generosas demais, chegam a doer. O ministro do Turismo está todo orgulhoso e as fotos de sua gostosa mulher estão em todo lugar e ela se diz "Primeira-dama do Ministério do Turismo do Brasil". Sinceramente, eu chego a ter pena da presidente Dilma. Ou então ela merece isso mesmo. Chega a ser uma afronta. Essa é a preocupação de um ministro, que aliás é do PT, com o Brasil, um país naufragando cada vez mais nos descaminhos que o levaram. Isso é ridículo. Acinte. Causa revolta. Isso é coisa de gente que vive uma realidade diferente do país. Cabe aqui uma pergunta: Senhor ministro, sua mulher está disponível?

quarta-feira, 6 de abril de 2016

O CAOS NA ESCURIDÃO

Os dias estão difíceis de viver. Cada vez mais. Uma guerra civil não declarada. Eu não acredito em mais ninguém na política, em mais nada. O Brasil está sem governo há quase um ano e meio. Isso chega a ser inacreditável. Quem não concorda com a corrupção e com a ladroagem dos que aí estão no poder são chamados de "fascistas". O Brasil conseguiu desgastar até a palavra "golpe". Cada vez que vejo o ex-presidente Lula falar e fazer seus discursos de gente doente da cabeça, de maneira alucinada, eu me perguntou o que sou como um simples cidadão de quinta categoria. Não sou nada. Um homem que fala só para plateias favoráveis e é aplaudido de pé pelas asneiras que diz. Agora, para se proteger, vai assumir a Casa Civil do governo que não é governo. A Rainha da Inglaterra não sabe mais o que fazer da vida. E é bom que não saiba mesmo. Agora a feira livre de cargos públicos em troca de votos contra o impeachement está aberta para os bandoleiros. Descaradamente. É troca de cargos por voto. Mas, afinal, que país é este em que vivemos? É um deboche. Um grande deboche que ainda vai longe. Um partido que tanto prometeu ao país - e eu participei dessa pregação - que, no poder, mostrou sua verdadeira cara. São ladrões do dinheiro público. Facínoras. Quando a gente vê um Renan Calheiros aconselhando o governo é porque nada mais há a fazer. Perdemos a vergonha. Sou um cidadão sem ânimo. Gostaria mesmo de ir embora do Brasil. E confesso que digo isso sem tristeza nenhuma. Não dá mais para viver num país assim. Não dá. Fora isso, recebi a informação com muitas fotos, que estudantes da Universidade de Coimbra estão se mobilizando para cassar o título de "Doutor Honoris Causa" concedido ao senhor Luiz Inácio Lula da Silva, quando ele era presidente. Já houve manifestações nas ruas da universidade. As faixas e cartazes mostravam a cara de Lula com enormes orelhas de um burro. Acho que o burro não merece essa comparação. Além das grandes orelhas do salvador da pátria brasileira, a palavra corrupto estava em todo lugar. Para mim foi um alento.